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O caos de Lispector,o CASO Clarice e EU! Ééééégua! Ai esse espetáculo Deborah Colker: ‘Cruel’ na minh’alma cheia de formigas!Ai essas páginas do peruano Santiago Roncagliolo: ‘Abril Vermelho’ arrancadas de dentro de mim. Cadê o Waltinho que não ouve os meus ais nesse ‘Abril despedaçado’? Cruel é a minha relação com o meu espelho.Ando fazendo uma linha purificador EUROPA. Por isso ando me dando a importância que eu tenho. Chega de auto-estima equivocada. ‘Abril vermelho’ é a minha conta bancária que está um horrrooor e o sangue que jorra de mim só pra provar que ainda estou viva. Despedaçado é o abril da minha amiga, a mendiga Clarice. Ela não é a Lispector, mas conserva uma aspa à esquerda e outra à direita dela mesma. Assisti uma entrevista de cumadi Clarice Lispector. Psicótica, voz infeliz, olhar não menos infeliz, um ar de inocência pisada...A genial Lispector, que fumava industrial-mente, diz que não era triste, era cansada. E fala do conto ‘Mineirinho’: “Um tiro mata. Por que treze?” Te ajeita Rio de Janeiro! Te or-ga-ni-za! Ô derroooota! Fui assaltada esses dias no Rio.O ladrão gritou: “passa tudo”. Retruquei: “Everything I own I carry with me!” Tudo o que tenho levo comigo.Não tenho como entregar minha inteligência.Eu não tenho nada, nem um colchão, nenhuma cortina. Só me resta os meus vibradores sem pilhas, meus livros, meus discos e a minha alegria, que é a minha única bactéria! Foi-se o burro e a carrrrga de farinha! Arrasada, massacrada, assustada, espoliada fui fuxicar com a minha amiga e mendiga Clarice. Clarice não é cachorra, mas o nome dela é só Clarice, 62 anos. Mora numa árvore ao lado da minha casa no Leblon, na praça Sérgio Vieira de Mello. Amontoada nela mesma. Pergunto: Qual a tua altura? − 1 metro e 49 por... 3 metros de largura. E tu não te levantas daí? − Nem pra fazer minhas necessidades... Mas tu estás ótima.Tua pele tá melhor do que a minha. −Eu uso hidratante poeirol com cocô de passarinho. Tu amaste algum homem na vida? − Homem sim, mulher não.O homem é sempre fissurado na mãe. E a mulher sempre quis fazer xixi pelo canudinho do pai. Hoje em dia tem mulher até que usa cinta pra transar com outras mulheres, mas deve de ser muito sem graça, né? Não tem leitinho. E tu Dadá, vai ficar nessa de ser jornalista e não mudar nada? Vocês jornalistas são iguais aos políticos.Não querem mudar nada.Se não, vão contar qual miséria nos jornais? E os políticos não fazem nada porque se não vão prometer o quê nas próximas eleições? Clarice, muié...Eu sou deformada em jornalismo.Me empresta aquele dinheiro que te dei outro dia... − Eu não entendi como você me deu aquele dinheiro se você não tinha.E você disse que esmola é igual a idéia : a gente dá uma que vem mais. Eu acreditei. Pois é, eu também! Saí dali, fazendo uma linha Ferreira Gullar no dia do enterro de Clarice Lispector achando que “as pedras e as nuvens e as árvores no vento mostravam alegremente que não precisam de nós”. E só pra fechar: Ei, Clarice: Qual a tua religião? − Brasileira. Eu idem. E viva o Fábio Júnior: “Eu não desisto assim tão fácil, meu amorrr...Das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz!” Obrigaduuuu aos meus 69 leitores.Beijo azul turquesa e inté. DáDáDá Escrito por Dadá Coelho às 15h01 [] [envie esta mensagem] | ||||||||||||