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Dia do comBATE ao fumo:uma surra antes e um cigarrinho depois! O portal UOl, que hospeda meu blog Tri-cortando, pediu pr'a eu escrever algo para uma ação no Dia Nacional do Combate ao Fumo (29/8).OK! Segue o enterro. Lá em casa, em Floriano, no Piauí, nós éramos pobre, pobre de marré Derci Gonçalves. Havia uma época que Maria da Penha,minha mãe, nunca tinha um tanto de dinheiro que desse pra comprar um maço de cigarro inteiro. Vez por outra, ela mandava um dos onze filhos na quitando do seu Zé comprar tudo pela metade: uma quarta de café, meia barra de sabão, uma xícara de querosene, meio litro de crioulina, dois dedos de óleo de cozinha,meio quilo de açúcar...Sabe como é: ser pobre é tarefa! Remoendo memórias e teclado afetivos, lembrei do dia em que fui a eleita pra ir comprar o retalho de cigarro (+ou-10 unidades). Maria da Penha era fumante inveterada e lisa. Enquanto não chegava o asfalto na cidade, a velha tragava desbragadamente.Punha asfalto para dentro de si. Tarada, esperando meu pai voltar da rua, fumava até pau-ronca. Um cigarro de fumo arapiraca enrolado artesanalmente na casca do milho. E lá fui eu,toda bunitinha: Vestidinho melindrosa azul,com grega colorida na barra da saia.Quem não se enfeita, a vida injeita,né? Saí feito uma desembestada pra comprar o tal cigarro a retalho na bodega. Mas no meio do caminho tinha uma pedra: a prostituta Peta. A rapariga nova,cheirando a leite. A mais sabida sobre as novidades de saliências nos arredores do cabaré PAU num Cessa. Peta sonegou inform-ação. E o pau cantou! Tínhamos marromenos 15 anos e nos atracamos feio. Puxamos o cabelo uma da outra até arrancar o couro de cima e debaixo. Não restou prega sobre prega! Tudo por causa de um menino Cláudio. E também porque botei o apelido dela de “Maria Fonseca: uma perna fina e outra seca.” Meu tio Tarcísio foi quem apartou a briga. Eu apanhei muito da Peta. Ela parecia um manequim de cemitério: magra que só o cão, mas tinha uma força desgraçada. Titio me arrastou da quitanda do seu Zé até minha casa, onde Mãe me aguardava. Ou melhor: o que restava de mim. Toda mal-ajambrada, mais desarrumada do que jornal lido.Chateada: meu vestido virou um molambo. Ao chegar a casa da minha mãe, a surra de corda molhada troou. Apanhei porque briguei na rua. Apanhei porque apanhei na rua. Dei cabimento praquela rapariga:a Peta. E filha de Maria da Penha não era criada pra levar desaforo pra casa. Ô derrooooota! Después de tanta algazarra, bofete, pancada, o diabo a quatro e meu pescoço já mole de tanto apanhar, mãe perguntou: ─ E cadê meu cigarro que tu foi comprar, moleca sem verrrgonha? ─ Ouche, tá aqui... Viiiiiixe!Foi quando me dei conta. Abri a mão: o retalho de cigarro estava todo escangalhado entre meus dedos. Esmagados com os tufos de cabelos. Apanhei de novo. A bordoada dessa vez foi com o relho (um troço feito de tiras de couro trançadas destinado a infligir estímulo doloroso a um animal.) Uiiiiiiii! Sofri mais do que sovaco de aleijado.Dormi arrasada, cheia de hematomas, desmastreada, sem ordem, sem harmonia e sem saber das últimas sobre as novas saliências em Floriano. Chorei copiosamente. Estava um fiapo humano: desidratada dada! Mãe fumou durante 50 anos. Só deixou de fumar agora, depois que a minha filha Maria Antônia nasceu. A pedidos. Já são oito anos sem fumo no juízo da minha velha. Tio Tarcísio foi pro andar de cima. Também, ele sempre quis morar numa casa de dois andares. Peta, hoje em dia, é rapariga fixa de um soldado: tá só o oco e os caburés cantando dentro. Seu Zé, o quitandeiro pegou um chifre da mulher Isadora.Isa fugiu com o leiteiro e nunca mais voltou. Ele botou placa de venda na VENDA. E eu tou aqui,escrevendo essas BLOGbagens com sauDAde do Serge Gainsbourg que morreu porque bebeu muitos cigarros! Um punhado de Gitanes. Diga não ao cigarro!Fume DIAMBA! De ambas as partes, é mais saudável o com-bate ao fumo!!Besos entusiasmados nos meus 69 leitores.Cariño, suerte, força e coragem.DáDáDá
PS: Essa postagem é uma homenagem a troar ao meu amigo machadiano Michel Melamed. Ahhh,uma dica literária: leiam a biografia do Serge Gainsbourg : UM PUNHADO DE GITANES (Sylvie Simmons.Editora Barracuda).Muito massa!Depois me liguem (sem ser a cobrar).Devidamente emocionados! Escrito por Dadá Coelho às 00h34 [] [envie esta mensagem] | ||||||||||||