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Sorria! Seu filme está sendo queimado! Dia 5 de novembro.Aniversário do meu pai que está no céu,sentado à direita de Deus todo poderoso, comendo alguma Nêga! Ô,cabra esculhambado. Éééégua! Sou de uma família que podia faltar artigo de luxo na mesa. Mas a verdade nunca. A primeira decepção que eu causei no mundo foi ter nascido mulher. Havia nascido uma renca de gente: Emmemeyrejanes, Raymundo Cláudyo, Leyna Mara, Lyslei , Doralyce, Leyla. E o meu pai queria-porque-queria um menino. Dizem que no hospital,papai com o whisky Natu Nobilis debaixo do sovaco,perguntava incessantemente: “É menino ou menina?” “É me-ni-na. E bunita!” E ele: “então serve”. Há quem diga que, provavelmente, papai teria descontado sua revolta, por se chamar Francisco Clodoaldo, vingando-se na ruma de filhos. Después de me batizar Darcimeire, nasceram: Jayro, Elyzângela, Lorena Moema, Lucélya e mais uns tantos outros irmãos ejaculados nos furdunços com as Nêgas do cabaré Pau Num Cessa. Impressionante como pobre adora ypisilon. Ô derroooota! Além da verdade, o sexo corria frouxo diluído em meio ao mijo, punhos de redes puídos,chão batido, afeto com aguardente e coragem... Vez por outra, meu pai, vulgo Chico da Carroceria, vaticinava: ”Êta, Darcimeire! Mar menina, tu tem uma força que poucos homens têm”. Andei agonizante depois da reforma agrária afetiva que fiz em mim.Mais precisamente na região de conflito no “bico do papagaio”, quer dizer,no bico do peito esquerdo, que interliga o coração de arame farpado às contrações da periquita. Imaginei quão meu pai era louco. ”Escritinho” a mim: Louco pra viver, louco pra falar, pra ser salvo. Um salva vidas no banco dos réus. Desejava tudo ao mesmo-Tempo-Agora. Estrebuchava diante do comum. Esquecia a sofisticação e tacava sal no coração. Ardia mais que água sanitária em ferida braba. Uma tara desgraçadada dada. Uma coisa meio: já-que-tá-dentro-deixa!! O romance de Luana Pior vani tem Dado o que falar... Enquanto a mídia se ocupa da miséria afetiva do casal , senti uma sauDAde ardida do meu pai, dos meus 13 irmãos e tanta doação da minha mãe.Das brigas por coxas e as asas da galinha. Era uma espécie de hierarquia do osso. Osso duro de roer, meu pai. Mas o combustível dele, assim como o meu, era o desejo. Enquanto leio meio correio particular, pergunto pra minha mãe: “Ô mãe, mermo com raiva do meu pai, a senhora ainda trepava com ele? “Claro. Minha raiva era só da cabeça pra cima. Pois se eu não trepasse com o Chico, ele ia comer as Nêgas na rua. Gastar o dinheiro deu fazer a feira e dá dicomê procês no dia seguinte.”. Sandra, minha amiga que ouve a conversa assombrada-mente, desabafa: “Ahhhh...Dona Maria, pois eu tou chateada com o Luís Carlos. Ele tem um filho de 9 anos fora do casamento e nunca me contou nada”. E mãe aconselhou Sandrinha com um afago: “Fia,se conforrrrme.Eu cansei de ver o Chico trepando com outras mulheres e ficava só olhando..." Aí eu rasguei: “É mãe,mas hoje em dia,a gente não quer ficar só olhando,não.A gente quer participar também.” Vamos comer unszozoutros! Viva o risoto humano! Sorria! Seu filme está sendo queimado! Besitos no céu da boca dos meus 69 leitores. Cariño. DáDáDá, Sherazade com tempero Nordestino. Escrito por Dadá Coelho às 20h39 [] [envie esta mensagem] | ||||||||||||