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O dom de Michel Cas-Murro Melamed!
Sabe o Nanini, um marco na história da teledramaturgia do Brasil? Pois é, não tem nada a ver. Quem sublinha o que há de mais contemporâneo e irreverente na TV brasileira é o cara aí da foto. Conheci o Michel Melamed através da Leda Engano Stoppazzolli, em 2004. Com meus joelhos lindos de quatro, aguentei o rojão verborrágico e poético. Tsunami literário e afetivo! Vida nas veias nesse mergulho. Um murro na moleira. Uma estripulia. Começamos com uma DRp (Discussão de Relacionamento Poética).Brigamos por causa do poema Soneto do Desmantelo Azul,do Carlos Pena Filho. Li o poema via embratel: “ Então, pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas, depois vesti meus gestos insensatos e colori as minhas mãos e as tuas. Para extinguir em nós o azul ausente e aprisionar no azul as coisas gratas, enfim nós derramamos simplesmente azul sobre os vestidos e as gravatas. E afogados em nós, nem nos lembramos que no excesso que havia em nosso espaço pudesse haver de azul também cansaço. E perdidos de azul nos contemplamos e vimos que entre nós nascia um sul vertiginosamente azul. Azul.” Do outro lado da linha, Michel mandou essa: Você não acha que tem muito azul? Taquei o “poema sujo” no pau da venta dele: Azul teu cu. (...) ”Tem muito azul em torno dele. Azul do céu, azul do mar.”(...) Diferentemente do amor de Nelson Ned ,que não se mede, não se repete, nem se percebe...O meu amor por Michel Melamed é de uma gratidão e gentileza sem fim. É a festa do afeto permanente-mente! Na época, começamos a nos corresponder via e-mail (Eu havia acabado de chegar ao Rio de Janeiro. Muito selvagem: nem e-mail eu tinha. Juízo então, viiiixe!). Artigo de luxo. De cara, criei uma pasta na minha caixa postal: INJOGÁVEIS. Injogáveis fora. Não conseguia deletar nada do Michel. Embevecida, encantada dada com este menino de olhos negros inescrutáveis . Inteligência e ‘macambúzio’ estampados nos cachos. Nunca vi um ser tão dependente da palavra, tão construído por e para ela quanto Melamed. Num desses e-mail, rasguei: P’ra você que não foi ao meu enterro e não quis ser VIP na minha missa de sétimo dia. Fiz uma linha Rilke: morreria se lhe fosse vedado escrever? E ele: um maestro me fez ler. Um absurdo. Só morreria se faltasse ar. Respondi: Ar, B C, D...Pôxa Michel, me dá um TOQUE. Quero escrever. Ele debochou: Times New Roman 12, verdana 10... Moreno-macho-manchete-mundial-Melamed sempre foi um entusiasta. Depois reconheceu o valor literário do Carlos Pena Filho. Abriu o programa Recorte Cultural da TV Brasil com a poesia “A solidão e sua porta”. Me encorajou a fazer o Tri-cortando . Me convidou pra dadá uma entrevista no Recorte. O Menino cresceu. O moço é capaz de comemorar seu aniversário numa festa dentro de uma piscina No dia 9 de dezembro, o ator, poeta, apresentador, dramaturgo ( Regurgitofagia, Dinheiro Grátis, Homem Música) estréia na TV Globo como o principal personagem da obra de Machado de Assis: Dom Casmurro. Machado tinha uma impressão digital na narrativa e o nosso Michel Mela-med Diminui distância não menos. Miiiiii, meu gato selvagem machadiano, um beijo afetuoso procê. Suerte, força e coragem. Te espero ansiosamente. Tanto quanto o mistério que ronda a reforma visual do letreiro da Chaika, PS: Ô Leda, o livro do Michel “Regurgitofagia” que você nunca me tomou, pois era seu... Que você leu e se afeiçoou faz falta no instante da minha estante. Merciii por tudo sempre Ledinha!
Escrito por Dadá Coelho às 22h54 [] [envie esta mensagem] | ||||||||||||